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CRíTICA AO ESPETáCULO "ENQUANTO SHAKESPEARE NãO VEM", POR KIL ABREU - 15.11.2015 às 10:18:17

Por: Assessoria de Comunicação

X Semana de teatro no Maranhão
Critica: Enquanto Shakespeare não vem - Cordão de teatro (Açailândia, MA)

Shakespeare, Beckett e o Cordão de teatro
Kil Abreu

Como interpretar – compreender o sentido – de um texto que aponta o que já não faz sentido?
Esta foi a pergunta do filósofo alemão Theodor Adorno diante de um autor que certamente dialoga com o trabalho do Cordão de teatro, de Açailândia, apresentado na X Semana de teatro no Maranhão. E não é William Shakespeare, é Samuel Beckett. Não só porque o nome do espetáculo (Enquanto Shakespeare não vem) remete diretamente a Esperando Godot, obra mais conhecida do irlandês. É sobretudo porque dele chega a inspiração direta ou indireta para a derrisão de fundo existencial das personagens (se o olhar de quem lê for para este campo), ou para a recriação, no próprio palco, das diversas formas de fracasso da representação (este é, aproximadamente, o ponto de vista de Adorno). De um modo ou de outro parece claro que na montagem dos maranhenses Shakespeare oferece o tecido, mas Beckett opera a tesoura, pelas mãos do grupo.
Dois clowns noturnos, Benigno e Justus – o bom e o justo - assim como Estragon e Vladimir, esperam, em tempo e lugar indeterminados (em uma espécie de deserto do real). Esperam por um outro que nunca chega. Ou assim como Hamm e Clov (de Fim de jogo), vivenciam uma prisão por motivos que não são explicados. Mas, se as personagens de Beckett existem para pactuar formas de habitar o silêncio, as do dramaturgo e diretor Xico Sá existem para fabular através da palavra. E então Shakespeare lhes oferece a matéria. No miolo dessa cela sem grades, tramada ao ar livre, eles representam, enquanto esperam, trechos das peças do bardo, como (salvo engano) Sonhos de uma noite de verão, Romeu e Julieta, Hamlet, Rei Lear e Macbeth.
Mas, a sequência de recortes, recozida agora como centro de nova narrativa, não quer abordar um tema ou situação específicos. Os fragmentos parecem dispostos de forma tão acidental quanto a própria espera. Chama a atenção no trabalho do grupo de Açailândia a liberdade para inserir, na relação de mando e obediência que pauta o jogo entre os personagens, falas com conotações sexuais e uma violência através da linguagem que talvez soe inesperada porque em princípio destoam dos materiais de origem. Curiosamente é nestes momentos que a plateia reage com mais evidência.
Este curioso, convidativo desenho geral pensado pelo grupo e decididamente instalado nos campos de um teatro inquieto, encontram umas tantas dificuldades para sua formalização. A mais flagrante é a condução imprecisa do ritmo na apresentação dos fragmentos, em que ainda é necessário afinar a sintonia entre a ideia que parecem querer representar – a de um mundo, enfim, sem saída – e o fato de que em qualquer caso a representação precisa resultar como teatro vivo, que não se deixe confundir, não se deixe render aos temas que tangencia. O mesmo vale para o trabalho dos atores (Mikaell Carvalho e Xico Cruz), comprometidos sem dúvida ao jogo da cena, mas reféns de composições e enfrentamentos aqui e ali diluídos no andamento por demais distenso. Talvez valha a pena pensar em percursos de ações (gestos, comportamentos, deslocamentos) minimamente necessários ao desdobrar das situações (o que inclui as transições entre os quadros). Arquitetar consequências possíveis entre um ato físico e outro, entre uma situação e outra, certamente ajudará a desenvolver a musculatura atoral que precisa ser exercitada.
O plano de trabalho do Cordão de teatro é ambicioso, inquieto e se aprofundado como pesquisa pode certamente avançar no futuro próximo em direção a um teatro muito interessante, que precisa existir e que neste “Enquanto Shakespeare não vem” encontra um estimulante esboço.

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